quinta-feira, 9 de agosto de 2007

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Complexidades



Relativity


















Escher

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Missão Cassini a Saturno

Imagens de espanto como esta e outras no link da National Geographic Magazine (clicar no título do post).

Leituras

"(...)a Vida imita a Arte muito mais do que a Arte imita a Vida. Isto resulta não apenas do instinto imitativo da vida, mas do facto de o fim confesso da Vida ser o de encontrar expressão, e o de a Arte lhe oferecer algumas formas belas através das quais poderá realizar a sua energia."

Oscar Wilde in O Declínio da Mentira

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Leituras

É antes de mais uma fábula. Vale pela crónica que narra, pela forma deslizante como a seguimos, onde encontramos retratos de pequenos dramas e comédias humanas. Serve ainda pelo seu efeito metafórico. Evoca as dissonâncias do nosso tempo, as contradições que mundos próximos, mas apartados, induz nas relações humanas. É um “livrinho” que cumpre o seu papel de entretém, que nos leva em passagens por uma escrita elaborada. Desvenda diálogos pontuados por humor. Retrata personagens tão irreais, quanto próximas pelos seus traços. Merece!

"A Morte é um dia como os outros - só que acaba mais cedo." (pag. 13)

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Le penseur

Réplica da obra "Le penseur" de Rodin, numa fotografia de Bernard Shaw, por Alvin Coburn. O escritor irlandês que sabia pulvilhar a sua literatura de uma ironia cortante, explicou esta fotografia, defendendo que na sua época, nas fotografias de artistas só se viam chapéus e roupas, mas com ele gostaria que se visse um pouco mais.
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domingo, 20 de maio de 2007

O Captain! My Captain!



O Captain! my Captain! our
fearful trip is done,
The ship has weather'd every
rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear,
the people all exulting,
While follow eyes the steady keel,
the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up
and hear the bells;
Rise up--for you the flag is flung--
for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd
wreaths--for you the shores a-
crowding,
For you they call, the swaying
mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his
lips are pale and still,
My father does not feel my arm,
he has no pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and
sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship
comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

Whalt Whitman

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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Complexidades





















Escher
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Poema do alegre desespero

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

António Gedeão

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

Alberto Caeiro

quarta-feira, 16 de maio de 2007

É talvez o último dia da minha vida.

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.

Alberto Caeiro

quarta-feira, 31 de maio de 2006

The Testing-Tree

On my way home from school
up tribal Providence Hill
past the Academy ballpark
where I could never hope to play
I scuffed in the drainage ditch
among the sodden seethe of leaves
hunting for perfect stones
rolled out of glacial time
into my pitcher's hand;
then sprinted lickety-
split on my magic Keds
from a crouching start,
scarcely touching the ground
with my flying skin
as I poured it on
for the prize of the mastery
over that stretch of road,
with no one no where to deny
when I flung myself down
that on the given course
I was the world's fastest human.

(Stanley Kunitz)

terça-feira, 30 de maio de 2006

Perplexidades 1

Perante a incerteza o que fazer?

Esperar para ver? Recolher mais dados? Produzir ensaios? Tecer hipóteses de trabalho que carecem de validade empírica? Ensaiar soluções para obrigara a natureza a falar? Agir com base no histórico?

A incerteza gera o incentivo maior para o exercício cognitivo, mas encerra as maiores perplexidades. Não temos disponível nenhum instrumento seguro de análise do processo de decisão sobre incerteza.

As manifestações comportamentais dos decisores são meros sinais que carecem de descodificação.
If the water were clear enough,
if the water were still,
but the water is not clear,
the water is not still,
you would see yourself,
slipped out of your skin,
nosing upstream,
slapping, thrashing,
trumbling
over the rocks

(Stanley Kunitz)

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Leituras

Albert Einstein: uma biografia



Texto dedicado à vida e obra de um homem de excepção, que deixou o seu traço de um modo irreparável nas nossas concepções mais elementares da natureza.

Ao longo das cerca de 300 páginas, os autores procuram trazer-nos uma visão cronológica da vida do físico, cruzando sempre que possível a realização intelectual, com os dramas da existência privada e das convulsões sociais do seu tempo.

Neste trabalho são recuperados momentos marcantes, como o desenvolvimento da ideia quântica, do efeito fotoeléctrico, os modelos do movimento browniano, o desenvolvimento da relatividade restrita e geral. O livro termina com o que aparentam ter sido fracassos sucessivos, ao longo dos últimos trinta anos de carreira de Einstein, onde a mecânica quântica se afirmou e somou sucessos sucessivos apesar do descrédito do físico de Princeton, ou ainda as aparente estradas sem saída que constituíram a abordagem da Teoria Unificado do Campo (TOE). Nos últimos capítulos os autores dão corpo à Teoria das Cordas, sustentando que estas são ainda o resultado da gestação de ideias desenvolvidas na TOE de Einstein.

Livro ligeiro, mas interessante, sem resvalar para o voyeurismo da vida privada.

Einstein de John Gribbin e Michael White, edição Europa-América

terça-feira, 3 de maio de 2005

As amoras

O meu país sabe às amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Pudesse Eu

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Máquina do Mundo

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

António Gedeão

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Call me

Sigo ao balanço de Dinah Washington entoando "call me irresponsable", cantando um "mad about you" de espremer o coração até às entranhas.

Abençoada sejas a voz.